Uma crônica sobre cair fora.

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Ela soltou sua mão e foi embora, de uma vez, que era pra não dar tempo de voltar. E foi embora. Gostaria de ter ficado, mas foi embora. Você era um filme já assistido. Como disse o professor:

– Charlie, nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Ela sabia que era muito melhor que isso que você estava oferecendo, seu jogo é perigoso demais, principalmente porque todos os teus átomos tinham uma química assustadoramente compatíveis com os dela. Precisou admitir que não sabia brincar de fuck friend com você.

Todo um histórico de relacionamentos ruins a tinham ensinado a ter tato. A ânsia da espera por reciprocidade e as noites de solidão que a faziam se sentir tão frágil que abraçaria qualquer um, qualquer coisa. Se conforma, mas a sensação de estar sozinha não vai embora.

Foi difícil ir embora, ainda mais quando você parecia incrivelmente confortável com suas escolhas, dormindo tranquilamente, cheirando a vinho barato, com o braço estendido e o peito descoberto, onde a pouco ela descansava a cabeça. Ela quis ficar e passar mais uma vez a mão no teu cabelo que ela achava tão macio e roçar de novo a sua barba por fazer que ela tanto gostava.  Queria te beijar de novo, a sua boca que havia acariciado todo o corpo dela na noite anterior.

Então, se lembrou das suas palavras, que não a amava mais e antes que fraquejasse se levantou e foi embora. Não estava pronta pra partir, seu coração doía de vontade de ficar, mas você já não a amava mais e ela conhecia esse sentimento de fim, de partir querendo permanecer.

Enquanto tirava seu bilhete da parede pensou que amar as vezes doía demais, mas amar não deve doer, nem fazer sofrer.

“Não me procura mais, me corta da tua lista de trepadas que não resistem ao teu sexo. Não vou ser tua amiga, não agora. Game over.”

Você queria caminhar e ela queria correr, você encontrou a porta aberta e resolveu entrar, você chegou onde queria e não quis mais. Ela viu a porta aberta e resolveu fechar. Você tinha algumas risadas e uns cigarros, contou algumas histórias engraçadas e vocês riram, então você apagou seu último cigarro como apagou o teu amor. Abortou os risos que ainda viriam com a delicadeza de quem “Te amo, mas não dá mais. ”. Foram embora os risos e os cigarros.

Mas ela sabia que a vida tinha que continuar. Faz parte do show.

O roteiro a seguir já era conhecido; teria de cortar os contatos, não saber mais de você. O dedo iria coçar de vontade de digitar seu nome na lista de amigos. Iria querer gritar o quanto você foi cruel de a ter procurado mesmo depois de dizer que não a amava mais, quando confessou que mentiu só pra conseguir uma trepada remember. Que tentou fingir que estava de boa quando saiu com você aquele dia, mas falhou na missão. Os dias vão seguir normalmente, no trabalho ninguém vai desconfiar. Nada seria dito novamente e tudo iria desaparecer.

Até o coração, masoquista que é, topar com outro amor.

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