SOMEBODY THAT I USED TO KNOW E FELIZMENTE NÃO CONHEÇO MAIS

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Recentemente me peguei ouvindo Somebody that I used to know* e me lembrei de uma conversa que tive com uma amiga sobre seu (ridículo) ex-namorado e sobre como ela demorou pra perceber que estava em um relacionamento abusivo.

É importante lembrar que ~geralmente~ quem está em um relacionamento abusivo não sabe que está ou se sabe na maior parte das vezes tenta negociar com isso, entrando em negação e tem muita dificuldade de sair dele, até porque um relacionamento abusivo não começa com ameaças, manipulação ou comportamentos agressivos do seu parceiro, essas são atitudes que aparecem aos poucos no decorrer do relacionamento.

De vez em quando eu penso em todas as vezes que você me ferrou, mas me fez acreditar que era sempre algo que eu tinha feito. Mas eu não quero viver desse jeito, analisando cada palavra que você diz”.

Esse é um trecho cantado na música por Kimbra e fala sobre manipulação psicológica (também conhecido como gaslighting), muito comum em relacionamentos abusivos, no qual o parceiro distorce informações e fatos, ou simplesmente as inventa na tentativa de fazer a vítima duvidar da sua própria memória, percepção e sanidade.

O objetivo desse tipo de manipulação é tirar a credibilidade da parceira, comumente usada por diversos babacas para se favorecer e muitas vezes vêm ilustrada através do “você é louca”.  É um método bem eficaz porque causa uma confusão mental danada ao fazer a mulher duvidar de sua memória e sanidade que desamparada busca acolhimento normalmente nesse mesmo babaca.

Mas antes que você se sinta culpada eu preciso dizer que:

 – Amiga, a culpa não é sua.

Você não é louca quando só está sendo sincera com os seus sentimentos e se o seu namorado te coloca nesse lugar – o de uma mulher irracional que não consegue se controlar – saiba que este lugar nunca foi e nunca será seu, fuja. É CILADA BINO!

Infelizmente essa é uma história que se repete todos os dias, então se ao deparar com aquele carinha que diz que a fulana é “louca” e, principalmente, se a fulana é a ex dele, desconfie. E eu vou te dizer o porquê.

É o senso comum que a “boa mulher” não demonstra os seus sentimentos e aceita tudo o que o cara quer, assim, aquela que demonstra seus sentimentos e descontentamentos de forma sincera é tida como nada mais, nada mesmo que louca. Pois é, injusto eu sei. A partir desse ponto, o comportamento de qualquer mulher pode ser distorcido para algo além da realidade. Se a garota liga ou manda mensagens, não é porque ela quer falar com o cara, é porque ela é louca. Se a garota alega traição, ainda que ela tenha visto ou soube do caso, é porque ela tem algum problema, é uma louca obcecada.

Em relacionamentos abusivos é ainda pior: você sabe que ele te conta mentiras, que ele te trai, te afasta das suas amigas e que exige coisas absurdas de você, mas quando você cria coragem para confronta-lo, ele diz que é tudo mentira, que te ama e jamais faria isso com você. Que você está louca. E ele diz com tanta confiança que faz você duvidar da sua própria verdade e pensar que todos os problemas do relacionamento de vocês é culpa sua. Muitas vezes, ele nem chega a dizer abertamente que “você está louca”, assim, com todas as letras, mas claramente mostra que as suas ações são descabidas. Mas lembre-se que não há nada de errado com você.

Diferente do que nos ensinaram a vida toda, nós, mulheres, devemos sim falar sobre como nos sentimos e sobre o que pensamos. Nós não devemos tolerar mentiras e abusos. Você não está louca quando fala sobre seus sentimentos.

Então, confie nas suas amigas, olhe pra si mesma, olhe pra ex do seu namorado e entenda que ninguém é louca como pregam os homens. Nós sabemos o que queremos e o que sentimos e não vamos deixar que nos façam pensar o contrário.

Go Girl!!!

 

 

*Somebody That I Used To Know – Gotye  feat. Kimbra.

Precisamos falar sobre Melody e a sexualização precoce de nossas meninas

melody blog

Há poucos dias vem rolando na internet uma série de vídeos e imagens sobre a funkeira mirim de apenas 08 anos de idade, Melody Abreu, conhecida como Mc Melody. Por causa das fotos e vídeos publicados em sua página no facebook a garota já recebeu elogios como “delicinha” e “um monumento de mulher”.

Melody é estudante da 3ª série do ensino fundamental e causou polêmica  após aparecer, incentivada pelo pai, o funkeiro Mc Belinho, cantando e dançando o famoso quadradinho, e trouxe à tona a questão da sexualização infantil e da cultura da pedofilia.

Para o pai de Melody, as críticas vêm exclusivamente do preconceito em relação ao funk, no entanto, um ensaio de primavera publicado na revista Vogue Kids (Setembro – 2014), expondo meninas em roupas de praia com blusa levantada, biquinho com a boca e calcinha aparecendo, também teve grande repercussão, reforçando explicitamente a adultização precoce das meninas e a sexualização de sua imagem.

No caso da revista Vogue Kids, as modelos, todas meninas, representam algo que destoa da que se espera do universo infantil, é um ensaio que adultiza as crianças, as coloca em situações irreais para a idade e expõe. São fotos infantis onde não tem ninguém brincando.

Precisamos levar em consideração que quando apresentamos crianças em posições ou situações erotizadas, estamos chamando atenção da sociedade para seus corpos e suas sexualidades que ainda estão em desenvolvimento e absorvemos a infância em função do consumo e da objetificação feminina.

Sabe aquela novinha? Nós chamamos de criança e nossas crianças, principalmente nossas meninas, estão sendo usadas como objetos de uso sexual e reproduzindo a pior atitude da sociedade com as mulheres, que é fazer delas um objeto.

Em 2013, o senado francês aprovou o fim dos concursos de beleza infantil para meninas menores de 16 anos, pois de acordo com os parlamentares, a medida é um esforço para conter a sexualização excessiva das crianças.

A decisão do senado francês representa avanços no combate as desigualdades de gênero, uma vez que é comum as mulheres aparecerem em imagens sexualizadas, reduzindo-as ao sexo, como objetos de desejo e trazer essa problemática para o universo infantil é extremamente cruel ao antecipar e pré-moldar as crianças a se comportarem de um determinado jeito extremamente limitado. É trazer os limites que muitas mulheres vivem na fase adulta para a infância.

Em relação às polêmicas, a revista se retratou “Seguimos princípios jornalísticos rígidos, dentre os quais o respeito incondicional aos direitos da criança e do adolescente. Como o próprio título da matéria esclarece, retratamos as modelos infantis em um clima descontraído, de férias na beira do rio. Não houve, portanto, intenção de conferir característica de sensualidade ao ensaio”, diz trecho do comunicado publicado na página da revista no facebook.

O pai de Melody apareceu em um vídeo pedindo desculpas por tudo o que havia falado e feito, mas reiterando que quer o melhor para a menina. “Aconteceu. Não tem como mudar. Mas só quem pode julgar é Deus. Não faria de novo, mas agora não tem mais o que fazer. Já aconteceu lá atrás e agora a gente está direcionando a carreira dela para aonde a gente realmente quer chegar, que é um funk mais pop“, disse MC Belinho.

O Ministério Público de São Paulo abriu inquérito para investigação sobre “forte conteúdo erótico e de apelos sexuais” em músicas e coreografias de crianças e adolescentes músicos.

Tava no Fluxo
Avistei a novinha no grau
Sabe o que ela quer?
DIREITO À INFÂNCIA E INCLUSÃO SOCIAL.

BROS BEFORE HOES: porque toda mulher é uma puta

blog broes

A máxima do the bro code¹, o código da brotherhood² é basicamente essa: os caras antes das vadias. O conceito rege a “relação de honra” dos homens a mais tempo do que todas nós gostaríamos. É um conceito que consegue ser totalmente arcaico e infantil.

A brotherhood tem um propósito: atacar mulheres e proteger homens através da coisificação feminina, tornando-as mero objeto sexual. Eles querem transar com você, eles querem trepar com você, eles querem fazer sexo com você e querem que você busque uma cerveja pra eles depois. Pegue a vadia e depois Kick the Bitch.

Um propósito grosseiro e funcional, um bro nunca entrega o outro, não importa o quão errado o outro esteja, o quão antiético seja.

A opinião dos homens em relação às mulheres sempre vai ser negativa, não importa o quão “gente boa” você seja. E eles nunca vão falar isso na sua frente, elas vão falar pelas costas, com os amigos, os Brothers.

Eles vão falar sobre a sua aparência, sobre a sua personalidade, seus pensamentos, sua sexualidade. Eles te veem como mero objeto de foda. E eles não vão demonstrar isso, não ao menos enquanto você continuar adulando e protegendo a posição de poder deles. A brotherhood os convém.

Até o melhor dos homens, até o seu melhor amigo, se estiver em uma roda com outros caras falando mal de você, ele nunca vai intervir a seu favor, o máximo que ele poderá fazer é se calar e se sentir culpado. Um homem pode até se esforçar pra não ter ou reproduzir atitudes misóginas³, mas ele jamais vai intervir nas atitudes misóginas alheias.

Eu já cansei de ver amigo, que eu considerava brother pra caralho compactuando com estuprador, com agressor de mulheres. O mais “esquerdista” e “pró-feminismo” dos homens não vai cortar laços com alguém que agrediu uma mulher se a violência não atingi-lo diretamente.

A brotherhood é a estratégia mais forte e inteligente do patriarcado. Ela sustenta a coisificação e subjugação feminina, a brotherhood pregou às mulheres que elas não poderiam confiar umas nas outras e que todas as merdas que as mulheres passam enquanto mulheres é culpa de mulheres que “não se dão o valor” e são “meras vadias”. A brotherhood é um adolescentezinho machista, é uma ode ao patriarcado.

Por isso, confie nas outras mulheres, confie na sua irmã, nas suas amigas, na sua mãe. NENHUM homem jamais vai te amar mais e proteger tão verdadeira e despretensiosamente quanto a sua melhor amiga. Fortaleça laços com as outras mulheres e destrua o patriarcado.

the bro code: O Código “bro”
brotherhood: irmandade masculina
misoginia: é o ódio, desprezo ou repulsa ao gênero feminino e às características a ele associadas. Está diretamente ligada à violência contra à mulher. 

A incrível geração de mulheres que não te perguntou nada

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Esses dias acompanhei pelo facebook uma espécie de discussão sobre a mulher contemporânea e relacionamentos amorosos (com mulher contemporânea leia-se a mulher pertencente a classe-média com acesso à universidade etc.). O debate partiu do texto “A incrível geração de mulheres que foram criadas para ser tudo o que um homem não quer“, da blogueira Ruth Manus, que em resumo, segundo a autora: as mina é mais e os caras é menas.

Eu sinceramente fico impressionada com a capacidade masculina de dominar toda uma sociedade, instituir o patriarcado¹ e serem tão burros, meu deus, como homem é burro. (Minha aposta é a de que apelaram pra força física).

Em resposta veio o texto “A incrível geração de mulheres chatas”, da Mariliz Pereira Jorge, que aparentemente acha que a mulher já conquistou o mundo na década de 1950. A classe masculina aplaudiu, nenhuma novidade, mas um dia a gente chega lá. E acho que a essas alturas já devem ter notado que esse não é um texto que faz questão de ser imparcial, até porque imparcialidade nunca foi meu forte.

Mas eu, aqui da altura da minha arrogância em achar que sei alguma coisa da vida só observo e digo: Gente, qual a necessidade disso?

Eu fico impressionada em como as pessoas se perdem nessa busca incansável seja pra ter alguém, estar com alguém ou simplesmente se lamentarem por estar sozinha. Fico impressionadíssima com o fato de que a incrível geração de mulheres que mata a onça e mostra a vara ainda não aprendeu aquela coisinha importante, aquela lá, aquela coisinha de se amar. E convenhamos que, amiga, você tá aí chupando mel e mascando abelha, sinceramente, tem mais que se amar mesmo, tem que se achar show, não se contenta com pouco não, porque ninguém nessa vida vai te amar mais que você mesma.

Eu que sempre fui contra essa ideia de que a felicidade de alguém deve depender de um outro alguém, quase me viro do avesso quando vejo toda essa conversa fiada. E você, fruto dessa geração de incríveis mulheres que assoviam e chupam cana não deveria deixar homemzinho nenhum te diminuir, porque você é show pra caralho, é quase um espetáculo inteiro.

Se posso deixar um conselho fica o de que quando cessarem os beijos, mude de beija-flor.

“Nossaaa, conselho de vagabunda ou de mal amada!!!” Disse o cuzão.

E respondi:

Vem cá, te perguntei?

 

 

1 – O sistema patriarcal enquanto instituição é uma constante social tão profundamente radicada que domina todas as outras formas políticas, sociais ou econômicas, gerando um estado de exclusão e discriminação social da mulher pautado na crença de uma superioridade masculina

Uma crônica sobre cair fora.

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Ela soltou sua mão e foi embora, de uma vez, que era pra não dar tempo de voltar. E foi embora. Gostaria de ter ficado, mas foi embora. Você era um filme já assistido. Como disse o professor:

– Charlie, nós aceitamos o amor que achamos que merecemos.

Ela sabia que era muito melhor que isso que você estava oferecendo, seu jogo é perigoso demais, principalmente porque todos os teus átomos tinham uma química assustadoramente compatíveis com os dela. Precisou admitir que não sabia brincar de fuck friend com você.

Todo um histórico de relacionamentos ruins a tinham ensinado a ter tato. A ânsia da espera por reciprocidade e as noites de solidão que a faziam se sentir tão frágil que abraçaria qualquer um, qualquer coisa. Se conforma, mas a sensação de estar sozinha não vai embora.

Foi difícil ir embora, ainda mais quando você parecia incrivelmente confortável com suas escolhas, dormindo tranquilamente, cheirando a vinho barato, com o braço estendido e o peito descoberto, onde a pouco ela descansava a cabeça. Ela quis ficar e passar mais uma vez a mão no teu cabelo que ela achava tão macio e roçar de novo a sua barba por fazer que ela tanto gostava.  Queria te beijar de novo, a sua boca que havia acariciado todo o corpo dela na noite anterior.

Então, se lembrou das suas palavras, que não a amava mais e antes que fraquejasse se levantou e foi embora. Não estava pronta pra partir, seu coração doía de vontade de ficar, mas você já não a amava mais e ela conhecia esse sentimento de fim, de partir querendo permanecer.

Enquanto tirava seu bilhete da parede pensou que amar as vezes doía demais, mas amar não deve doer, nem fazer sofrer.

“Não me procura mais, me corta da tua lista de trepadas que não resistem ao teu sexo. Não vou ser tua amiga, não agora. Game over.”

Você queria caminhar e ela queria correr, você encontrou a porta aberta e resolveu entrar, você chegou onde queria e não quis mais. Ela viu a porta aberta e resolveu fechar. Você tinha algumas risadas e uns cigarros, contou algumas histórias engraçadas e vocês riram, então você apagou seu último cigarro como apagou o teu amor. Abortou os risos que ainda viriam com a delicadeza de quem “Te amo, mas não dá mais. ”. Foram embora os risos e os cigarros.

Mas ela sabia que a vida tinha que continuar. Faz parte do show.

O roteiro a seguir já era conhecido; teria de cortar os contatos, não saber mais de você. O dedo iria coçar de vontade de digitar seu nome na lista de amigos. Iria querer gritar o quanto você foi cruel de a ter procurado mesmo depois de dizer que não a amava mais, quando confessou que mentiu só pra conseguir uma trepada remember. Que tentou fingir que estava de boa quando saiu com você aquele dia, mas falhou na missão. Os dias vão seguir normalmente, no trabalho ninguém vai desconfiar. Nada seria dito novamente e tudo iria desaparecer.

Até o coração, masoquista que é, topar com outro amor.

onde não puderes amar…

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Uma vez ouvi que relacionamentos são como uma viagem de trem e cada pessoa com quem você se relaciona é uma estação. Algumas pessoas acabam sendo aquela parada chata que se fosse por você o trem seguiria adiante, mas o percurso exige. As paradas servem para que se escolha o que vamos levar na bagagem, então aprendemos a colocar só o que nos é realmente bom para que se evite carregar pesos desnecessários e as malas virem fardos.

Algumas dessas pessoas vão te encher o saco, vão te consumir o tempo sem te acrescentar em nada, elas vão ser cruéis, e você vai ter que ser cruel com elas de volta. Algumas pessoas são cheias de alegria, dessas que o sorriso pode preencher um cômodo todo, como só os deuses loucos sabem. Algumas pessoas trazem o melhor de nós. Com o tempo aprendemos a levar as coisas boas, das pessoas e do tempo. É tudo um tanto cafona, mas acaba fazendo sentido.

Às vezes é necessário carregar coisas que não gostamos por certo tempo, às vezes precisamos carregar uma mágoa pelo tempo necessário para que possamos superá-la. Nós a carregamos até que a mala comece a pesar demais e se nota que ela não se faz mais necessária. Ainda que doa deixar as pessoas irem, se agarrar a elas é viver encarcerado. Isso demanda tempo e muita série com pipoca, muito choro no ombro das amigas e cachaça, meu deus, muita cachaça.

Uma lição muito importante e que custa aprender é que não importa o quanto você ame alguém, elas (as pessoas) simplesmente não são obrigadas a nos amar da mesma forma. Ninguém é obrigado a ficar, a retribuir. E isso vai doer. Vai doer bastante. Você provavelmente vai achar que nunca mais vai querer mais ninguém. Vai ser foda pra caralho, mas vai passar, vai passar.

Vai ser uma novela mexicana, mas no fim das contas alguém te encontra, te reencontra, te reinventa, te reencanta, te recomeça, nem que seja você mesmo. Você vai explodir de raiva e vai explodir de amor. E quando elas forem embora de novo, você ainda vai ficar triste, vai dar aquele suspiro profundo, aquele suspiro que a gente só dá quando se lembra de alguém que foi importante na vida da gente, porque certos dramas não valem a pena.

“Enfim, se não for pra ser amor, nem me dê bom dia.”